Vocês já devem ter ouvido falar da confusão que aconteceu no departamento de futebol americano da Universidade de Ohio State nas últimas semanas, que culminou com o pedido de demissão do técnico Jim Tressel.
Começando lá do começo, Jim Tressel assumiu o comando de Ohio State em 2001, e já no seu segundo ano no comando do time, foram campeões nacionais derrotando a Universidade de Miami, na prorrogação de uma excelente partida.
Depois de dois anos em baixa, eles se recuperaram e foram campeões da conferencia Big Ten por 6 anos consecutivos, de 2005 a 2010. Em 2006 e 2007 eles chegaram a final nacional mas acabaram perdendo para o Florida Gators e LSU Tigers respectivamente.
Jim Tressel estava no topo, e após tantos sucesso em tão pouco tempo, ele era muito respeitado e querido pela comunidade local, e somente algo muito forte o desbancaria do trono. Infelizmente isso aconteceu.
Nos esportes universitários, os jogadores não recebem dinheiro para jogar, eles somente recebem a bolsa de estudos, refeições, livros, professores particulares a disposição, entre outras coisas do gênero. Além disso, o “estudante-atleta” nao pode se valer do seu “status” para conseguir algo que um estudante comum não possa conseguir.
Usando como exemplo o Terrelle Pryor (agora ex-quarterback de Ohio State), ele vendia camisas e chuteiras usadas em jogo, capitalizando para usos pessoais.
Isso é expressamente proíbido, cabendo punição ao jogador, como ocorreu com AJ Green (draftado com o 4º pick pelo Cincinnati Bengals nesse último NFL Draft) pego por ter vendido uma camisa usada em jogo, e suspenso por 4 jogos quando ainda era da Universidade da Georgia.
Terrelle Pryor também trocou os “rings” que ele ganhou como campeão da Big Ten, por tatuagens e foi aí que o negócio começou a pegar fogo.
O dono da loja de tatuagem tem como advogado um ex-jogador de Ohio State. Este ficou sabendo de tudo e informou ao Jim Tressel, que não fez absolutamente nada. Ele deveria ter reportado isso a Universidade, que tomaria as medidas cabíveis, provavelmente suspendendo o jogador por alguns jogos, mas preferiu não fazer nada.
A notícia acabou vazando para a imprensa, cinco jogadores foram suspensos pelos primeiros 5 jogos dessa temporada, e o proprio Jim Tressel foi suspenso também por 5 jogos.
Após ser questionado se ele sabia de mais alguma coisa, ele disse que não, e mais tarde, quando descobriram que outros jogadores (aproximadamente 25 atletas) também estavam trocando os “rings”, fotos autografadas, foi a gota d’agua para sua permanência no comando do time.
A situação estava fora de controle, e Jim Tressel nao tinha outra saída a não ser pedir demissão.
Terrelle Pryor também abandonou a universidade, e vai entrar no “supplemental draft”que deve acontecer em julho.
As investigações ainda estào acontecendo, e se levarmos em conta o caso de Reggie Bush (RB – Saints) com a Universidade South California, a pena de Ohio State será tão dura quanto a de USC, podendo perder um número de jogadores no time, além de serem proibidos de participarem de bowl games e de uma possivel final nacional.
Esse caso não é raro, isso acontece em toda universidade grande, onde pessoas da comunidade local querem se aproximar de jogadores que possam a vir fazer sucesso na NFL.
É comum por exemplo, donos de concessionárias emprestarem carros novos, ou entao venderem carros novos a preço de banana pra esses jogadores, sempre pensando no futuro, numa possível associacao de imagem da sua loja com o jogador.
Algumas universidades são pegas como USC, Ohio State, e agora a Universidade de Oregon está sendo investigada. O grande problema é que os jogadores são oriundos de famílias humildes, e quando expostos ao dinheiro fácil, fica difícil recusar.
O jogador tem que ter boa cabeça pois está pondo a carreira dele e a universidade em risco.
uma solução seria pagar salários aos jogadores, já que as universidades fazem dinheiro em cima deles vendendo camisas, bones, e outros artigos esportivos, sem que os jogadores recebam um centavo dessas vendas.
Mas aí ja surge outro problema, quanto que os jogadores deveriam receber? E os jogadores de volei, baseball, tenis, o pessoal do remo ou atletismo? Eles também vão querer ser pagos, porque seria uma questão de discirminção entre esportes.
A situação é muito complexa, e o sistema que temos hoje em dia deve ainda vigorar por muito tempo.
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Não acredito que uma alteração nesse sistema ajudaria muito. Pagar os atletas somente iria aumentar o problema, incentivando ainda mais esse “mercado”. No meu ponto de vista, o problema não está no modelo, mas na cultura.